É a moda

          Eu sempre achei ridícula essa nova beleza através da magreza, das roupas de marca, da cor do cabelo, das pulseiras de ouro e sei-lá-mais-do-quê esse povo anda gostando. Mas agora essa é a tendência fashion da maioria, então eu é que sou o ultrapassado. Resolvi que vou me adaptar à moda. Darwin ficaria orgulhoso.
          Primeiro, eu dou uma passada na academia. Aqueles homens fortes como tratores me assustam. Parecem touros prontos para atacar o primeiro barrigudinho que aparecer. Me senti ameaçado. Mas está na moda. Resolvi relevar quando um deles entrou em um processo convulsivo por excesso de suplementos. Me lembro do tempo em que o nosso alimento vinha do chão, e não de laboratórios. Mas tudo bem. É tendência.
          Ah! E as garotas? Eu conversei com uma delas na academia. Ela não conseguia mais se exercitar, pois a energia da folha de alface que ela comeu no almoço havia acabado. Ela falou que tinha dor de cabeça, insônia e problemas intestinais por causa do seu programa de emagrecimento. Eu disse para ela não se importar. Vale a pena. Está na moda.
          Mas eu não queria ficar anêmico por falta de comida. Fui a uma clínica estética. Me apresentaram vários pacotes. Um deles fatiaria a minha barriga. O outro implantaria músculos falsos. Ainda vi um que me deixaria parecido com o famoso que eu quisesse. Foi aí que bateu um alarme mental. A mulher da minha vida, minha mãe, achava vários homens bonitos. Mas só eu era o seu príncipe. Adeus, George Clooney.
          Voltando para casa, fiquei ainda mais satisfeito com a minha decisão. Enxerguei uma mulher cujo umbigo encostava na espinha, e não sabia se era mendiga ou modelo da AVON.

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