O Soldado
Eu já estive no Vietnã, já estive na guerra. Mas eu sobrevivi. Voltei para casa. Incrivelmente, naquela noite, eu me sentia num campo de batalha. De novo.
A primeira pessoa de quem em me lembro era o Comandante Rogers. Um homem muito patriótico e disciplinado, com a incrível habilidade do convencimento, seja através de palavras bonitas ou do cano de uma arma. Todos os dias ele nos acordava bem cedo para verificar o perímetro da base. A vigilância era constante.
O meu negócio nunca foi a guerra. Muitas vezes aconteceu de um daqueles guerrilheiros vietnamitas saltar da floresta. O som das metralhadoras até hoje ecoa na minha mente, como uma coceira chata e inalcançável. Os gritos, sejam dos meus colegas ou dos inimigos, também são uma perturbação constante. Não era tão ruim.
No fim, o pior sempre foram as bombas. A Napalm é uma coisa horrível. Nunca gostei de ter como arma uma bomba ácida. De alguma forma, ela tornava a guerra ainda mais desumana. Aterrorizava os inimigos e incomodava os soldados. Já não bastasse tudo isso, fedia. Demais.
Mas era tudo passado. Diferente de muitos outros, eu sobrevivi. Voltei para casa. Arranjei um amor. Constituí família, como todo bom ex-soldado. E mesmo assim lá estava eu passando por tudo de novo. Lutando outra guerra.
Como na base militar, tanto tempo antes, eu fui acordado bem cedinho por um comandante. E eu realmente não queria que essa comandante me apontasse o cano de uma arma. Fui verificar o perímetro. Aquele choro era basicamente pior do que qualquer barulho de metralhadora. Eu entro no quarto e olho por cima do berço. Ali está a minha missão. O alvo foi identificado. Com cautela, eu tiro a sua fralda. O que vejo ali é horrível, é desumano, e indubitavelmente muito pior do que Napalm.
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