Transcendência
É importante discutir a implícita oposição entre felicidade e progresso que vemos, ou melhor, sentimos nos dias de hoje. Quero dizer que o progresso é inimigo da plenitude? Claro que não. Mas é uma ferramenta poderosa para determinar os rumos da vida humana e que, como qualquer outra ferramenta, pode ser mal utilizada.
Desde o seu surgimento como animal racional, o ser humano sabe da existência de um vazio dentro de si, e talvez essa seja uma daquelas verdades ocultas ou tabus mais certos dos quais temos conhecimento. O enfrentamento de tal verdade talvez seja o que muitos necessitam para tornar a sua vida "completa", em um resumo bem simplista. Mas tal sentimento pode também ser chamado de paz de espírito, nirvana ou mesmo transcendência.
Muitas pessoas buscam preencher o vazio dentro de si mesmas com a fé, com a certeza da existência de algo superior, que vale a pena ser buscado, outras se refugiam no trabalho, ou até mesmo no dinheiro, bens materiais, nos amigos, na família, em um hobbie ou, em casos mais extremos, em um buraco mesmo. Mas essa é uma discussão existencial pertinente exclusivamente ao indivíduo.
Aí então temos mais duas verdades: ignorar o vazio faz com que nos sintamos mal, tanto que algumas pessoas dedicam suas vidas inteiras à descoberta de uma solução universal (ainda não encontrada). A segunda verdade é que as medidas generalizadas da humanidade para driblar tal desolação hoje não variam muito da alienação (vida boêmia), conformação (cabeça-dura, amargura...) ou, para muitos, o progresso.
Não falo apenas da pesquisa científica desenfreada, mas daquela obsessão por dinheiro, carreira, últimas tendências e redes sociais, essas coisas que marcam o século XXI e a chamada "amplificação" do âmbito humano, que mais parece um retrocesso. Tal progresso é marcado por uma das coisas mais perigosas que temos hoje: a chamada "otimização" do tempo.
Você lembra o que fazia quando estava sem o que fazer? Sozinho ou numa roda de amigos, essa era a hora em que a sua criatividade era posta a prova, e você experimentava de verdade o potencial da sua racionalidade. Algumas belíssimas artes estão se perdendo, como contar uma piada ou ler um livro, ou mesmo ficar sem fazer nada. Hoje, temos o smartphone.
Como não fazer nada, o chamado ócio, pode ajudar na minha vida? Essa é uma cultura antiga, evidenciada muito na época da antiguidade clássica. Sabe aqueles grandes pensadores que lemos hoje? Grandes homens com grandes frases e grandes estudos? A maioria possuía escravos para realizar seus afazeres, o que lhes permitia tempo livre para descobrir sobre a natureza e o homem, e tudo o que isso significa (Não que eu apoie a escravidão, claro). O chamado ócio criativo é o tempo em que paramos tudo para contemplar o que está a nossa volta e dentro de nós. E alguns estudos já comprovaram que pessoas que reservam parte dos seus dias para não fazer nada vivem melhor do que aquelas que não param nunca.
Agora, ler? Contar uma anedota? Escrever? Brincar? Quem tem tempo pra isso? Todos temos. O tempo corre o mesmo para todos, a menos que alguém esteja perto de um buraco negro ou à velocidade da luz... Então, por que sentimos que algumas pessoas são mais felizes, muitas vezes tão ocupadas quanto nós? Bom, isso é difícil responder, pois isso é pertinente exclusivamente ao indivíduo, mas podemos dizer que essas pessoas aprenderam a não reclamar do tempo, mas a aproveitar melhor o tempo que têm.
Quero dizer para você largar, agora, o seu celular e correr para se inscrever em vários cursos extracurriculares, fazer uma caminhada na praia ou começar a viver como se fosse o seu último dia na Terra? Não. Quero que você perceba quanto é bom estar vivo, como é bom ser você, não importa o quão ruim pareça, e o quão é bom sentir este momento, simples e puro como é. Talvez não dê para fazer isso hoje, pois muitas vezes só conseguimos contemplar o que está à nossa volta quando adquirimos a paz de espírito (ou plenitude, como preferir). A questão é que dá pra ser feliz assim.
A discussão do progresso se concentra aí. Quando tentamos otimizar o tempo, estar na moda, seguir uma progressão infinita, perdemos o tesouro que é o agora, que, na verdade, é tudo o que temos. O homem está tentando descobrir o que lhe faz feliz em algo externo a ele, num futuro que não lhe pertence. Um erro fatal, se lembrarmos que a felicidade vem de dentro. É por isso que o agora se chama presente. É realmente o maior presente que podemos querer.
Não falo apenas da pesquisa científica desenfreada, mas daquela obsessão por dinheiro, carreira, últimas tendências e redes sociais, essas coisas que marcam o século XXI e a chamada "amplificação" do âmbito humano, que mais parece um retrocesso. Tal progresso é marcado por uma das coisas mais perigosas que temos hoje: a chamada "otimização" do tempo.
Você lembra o que fazia quando estava sem o que fazer? Sozinho ou numa roda de amigos, essa era a hora em que a sua criatividade era posta a prova, e você experimentava de verdade o potencial da sua racionalidade. Algumas belíssimas artes estão se perdendo, como contar uma piada ou ler um livro, ou mesmo ficar sem fazer nada. Hoje, temos o smartphone.
Como não fazer nada, o chamado ócio, pode ajudar na minha vida? Essa é uma cultura antiga, evidenciada muito na época da antiguidade clássica. Sabe aqueles grandes pensadores que lemos hoje? Grandes homens com grandes frases e grandes estudos? A maioria possuía escravos para realizar seus afazeres, o que lhes permitia tempo livre para descobrir sobre a natureza e o homem, e tudo o que isso significa (Não que eu apoie a escravidão, claro). O chamado ócio criativo é o tempo em que paramos tudo para contemplar o que está a nossa volta e dentro de nós. E alguns estudos já comprovaram que pessoas que reservam parte dos seus dias para não fazer nada vivem melhor do que aquelas que não param nunca.
Agora, ler? Contar uma anedota? Escrever? Brincar? Quem tem tempo pra isso? Todos temos. O tempo corre o mesmo para todos, a menos que alguém esteja perto de um buraco negro ou à velocidade da luz... Então, por que sentimos que algumas pessoas são mais felizes, muitas vezes tão ocupadas quanto nós? Bom, isso é difícil responder, pois isso é pertinente exclusivamente ao indivíduo, mas podemos dizer que essas pessoas aprenderam a não reclamar do tempo, mas a aproveitar melhor o tempo que têm.
Quero dizer para você largar, agora, o seu celular e correr para se inscrever em vários cursos extracurriculares, fazer uma caminhada na praia ou começar a viver como se fosse o seu último dia na Terra? Não. Quero que você perceba quanto é bom estar vivo, como é bom ser você, não importa o quão ruim pareça, e o quão é bom sentir este momento, simples e puro como é. Talvez não dê para fazer isso hoje, pois muitas vezes só conseguimos contemplar o que está à nossa volta quando adquirimos a paz de espírito (ou plenitude, como preferir). A questão é que dá pra ser feliz assim.
A discussão do progresso se concentra aí. Quando tentamos otimizar o tempo, estar na moda, seguir uma progressão infinita, perdemos o tesouro que é o agora, que, na verdade, é tudo o que temos. O homem está tentando descobrir o que lhe faz feliz em algo externo a ele, num futuro que não lhe pertence. Um erro fatal, se lembrarmos que a felicidade vem de dentro. É por isso que o agora se chama presente. É realmente o maior presente que podemos querer.
“Não é o muito saber que sacia e satisfaz a alma, mas o sentir e saborear internamente as coisas”. Esta é a frase de um grande homem chamado Inácio, que passou por algumas experiências muito interessantes enquanto era vivo...
Mas isso é outra história.
Mas isso é outra história.
Comentários
Postar um comentário