Carta de Ano Novo - 2017
Tempo: sequência eterna e ininterrupta de instantes. Mas o que é um instante? A menor unidade divisória do tempo, uma marca ínfima no tempo e no espaço. Mas, diferente de como a ciência chegou ao átomo, é muito mais complexo descobrir a dimensão de um instante, visto que nada temos de cada um que passou, a não ser registros da luz que permeia cada um (fotos e vídeos), que mesmo assim não são precisos a ponto de capturar um instante (ou não existiriam borrões).
Mas podemos pensar em momentos. Diferentemente de um instante, um momento não tem duração fixa. É uma sequência de instantes, geralmente curta, diferente para cada um que o sente, pois é um conceito, e não medida. Quando se trata de medidas concretas, aí sim falamos de segundos, minutos e horas... Mesmo para isso, o homem não inventa as coisas do zero. As medidas de tempo são feitas baseadas nos ciclos que o planeta em que nos encontramos, a Terra, realiza, a rotação e a translação.
A Terra está concluindo mais um ciclo de translação: o ano de 2016, composto de 12 meses, ou 366 dias, ou 8784 horas, ou 527.040 minutos, ou infinitos instantes. Diga-me. Como um ano pode ser melhor que isso? É uma sequência temporal. É uma referência para linhas do tempo. Mas, assim como nós, um ano é composto das coisas em que se torna. Cada momento é um potencial para cada um. Seja potência de bem ou de mal, é uma oportunidade para que façamos dele o melhor que pudermos.
Alguns podem dizer que 2016 foi difícil. Foi duro e avassalador. Alguns momentos, sim, podem ter sido transformados em alguns fatos por vezes difíceis de aceitar, ou simplesmente ruins, assustadores, traumatizantes... Mas, por favor, não culpe o pobre ano. Os momentos são o que nós fazemos deles. Enquanto você sofria, chorava, gritava, uma criança sorria em algum lugar do mundo. Independentemente de data.
O que quero dizer é que um ano é uma sequência de momentos, espaços que a vida nos dá para que façamos deles o melhor que pudermos (ou não, como desejar), e não vão ser quatro números enfileirados que vão fazer você sofrer ou perder as esperanças. Um ano é o que nós fazemos dele. Crer que estamos à mercê do que nos reservam os momentos é perder a fé no potencial de cada um, de mudança, transformação. É mais fácil crer que estamos à mercê das coisas que nos rodeiam. Mas também é bem mais fácil ser machucado. E mais difícil tornar melhores os momentos.
O que resta para nós, de cada ano, são lembranças. Marcas deixadas em nossas cabeças, em fotos ou recordações de momentos passados. Inexistentes. Importante é perceber que passado e futuro não existem. Só existe o presente momento. O passado não retorna, e o futuro simplesmente não existe até estarmos nele. Então, não deixe que algo que não existe comande sua vida. É ilusão. Mas não deixe de pensar no futuro, claro. Admitimos que viveremos mais um dia (a maioria de nós), então é sempre bom pensar nos momentos que, presumimos, virão. E o passado? Devemos esquecer? Claro que não! Até mesmo as coisas ruins são lições de vida. Como abdicar de tudo o que aprendemos?
Basicamente, o que eu quis dizer é que pedir um 2017 melhor é depender da sorte, probabilidades, ser um agente passivo. Mas ninguém é sujeito passivo da própria história. Então, nada de desejar um feliz 2017 pra você.
Desejo um feliz você para 2017.
Comentários
Postar um comentário